Uma perspectiva das relações humanas observada nas novas tecnologias.
Quanto tempo você esteve a olhar para uma tela hoje? A todo o momento concordas? Eu e
você o estamos fazendo mais uma vez. Que engraçado, não? Em uma
perspectiva de 10 anos atrás isso não era tão comum.
Hoje nossas vidas e a nossa cultura estão cheias de
tecnologia, desde o nosso smartphone – ao qual não o usamos mais para a sua
função primordial que é telefonar – até a nossa geladeira (Pasmem!!! Já existem
geladeiras smart).
Sou de uma época em que a comunicação não era tão veloz e
simples como é hoje, as famosas cartinhas escritas à mão ainda eram muito
utilizadas, porém, em um curto espaço de tempo, houve uma queda significativa na
antiga forma de se comunicar entre as pessoas, e os recém-chegados “chats”
passaram pouco a pouco a substituir as antigas formas de comunicação, tais
quais as cartas e o fax.
Refletindo sobre as novas formas de se comunicar que
surgiram no novo milênio, não podemos esquecer o impacto social causado nas
relações entre as pessoas após esses avanços tecnológicos. As novas formas de
se expressar, cheias de novos vocabulários, palavras estrangeiras e reduzidas,
foram paulatinamente adaptando a nossa mente a essa nova forma de se vivenciar
a comunicação. As empresas se adaptaram a essa linguagem tecnológica assim
também como as pessoas, e não nos vemos mais no mundo sem esses poderosos “gadgets”.
Se por um lado temos avanços, também temos retrocessos. E se
digo retrocessos, digo pela enorme facilidade em se conectar e conversar com
outras pessoas, porém a qualidade dessas conversas, ao meu ver, não são as
mesmas do passado. Talvez as relações apodreceram, entretanto, sei que isso se
deve a inúmeros fatores aos quais eu não gostaria de abordá-los nesse momento.
As tecnologias, ao menos na minha perspectiva, são o que de
mais “humanizador” pôde ser feito até agora. Muitas vezes, nos meus pensamentos,
volto no tempo e constato o quão grande foi o bem e as facilidades que a
tecnologia pôde proporcionar a minha vida e as ricas experiências as quais pude
vivenciar através dela, e apenas pude perceber tal avanço de forma consciente,
quando me dei conta das diversas pessoas de vários países que estavam na minha
vida e das formas mais generalizadas que pude adquirir conhecimentos através
das “salas de aula não físicas” que hoje são possíveis em nossos dias.
Partindo dessa perspectiva, há mais pontos positivos que
negativos? Depende. O Quão consciente somos de todos esses positivos avanços em
nossas vidas? Será que damos o real valor a tudo de bom que toda essa
tecnologia pôde nos proporcionar?
Citei a pouco o quão apodrecidas estão as relações
ultimamente nessa nova era tecnológica, e refletindo sobre o porquê as coisas
estão como estão, fiz uma análise particular das minhas relações nesse meio.
Não posso citar aqui que em se tratando de relações humanas, tive apenas
fracassos, pois colhi muitos bons amigos em todo esse universo das “mídias
sociais” e “apps”. Minha análise, portanto, se restringirá apenas a minha perspectiva
e tão pouco deverá ser lida como uma fidedigna expressão da realidade de todas
as pessoas.
São inúmeras as quantidades de “apps” disponíveis para se
conhecer pessoas, fazer amizades e buscar relacionamentos amorosos. Há anos
venho usando constantemente muitos deles, e nenhum resultado positivo tem sido
alcançado no tocante a pessoas realmente sinceras no que buscam e o que estão
fazendo naquelas salas de bate-papo. Sinto que estão ali apenas para exibirem-se
e nada mais além disso. Um grande número de usuários não tem o mínimo interesse
em iniciar um diálogo sadio ou uma descoberta de outros universos aos quais
tantas pessoas estão cheias e que posso chamá-los de “vivencias e experiências”
que poderiam ser compartilhadas. Inúmeras vezes tentei provocar bons e sinceros
diálogos no intuito de realmente fazer amigos, porém, muitas vezes sem sucesso.
Em alguns aplicativos, quando procuramos iniciar uma conversa, sejam com
mulheres ou com homens, a impressão que passas é de que tu sejas algum “tarado”
ou busca tirar algum proveito luxurioso daquele diálogo ou que tu sejas
homossexual (no caso de um diálogo com homens). A perspectiva de amizade e afeto
humano através de uma conversa quase nunca é acreditada pelas inúmeras pessoas
as quais procurei desenvolver um bom contato nesses aplicativos.
Observei que em todos esses aplicativos, o diálogo não é o
seu principal objetivo, e o mostrar-se passou a ser o mais importante. Porque?
Quando disse acima que inúmeros fatores causam essa podridão das relações,
ressalto aqui alguns problemas sociais aos quais passa uma parte da nossa
sociedade, muito por causa de como nossas relações de consumo estão atreladas
ao modo como a publicidade impacta nossas vidas e como exprimimos isso no
contato com o mundo e com as pessoas. Hoje queremos consumir as pessoas da
mesma forma que consumimos aquilo que compramos, e o preço delas está atrelado
àquilo que vestem, aos locais que frequentam, as formas que se portam em um
determinado meio, sem levar em consideração as particularidades de cada
indivíduo. Mas que ideia essa minha, não? Se duvidas que seja assim, faça um
teste. Verás grande parte das pessoas nessas mídias sociais a dar desprezo por
aquilo que carregas dentro do teu verdadeiro interior.
Após ter percebido que tais aplicativos e mídias sociais
estavam infestadas desse tipo de comportamento e que nada daquilo me fazia bem,
passei alguns dias a refletir e a observar o que estávamos fazendo conosco (no
sentido do nosso próprio bem e respeito) e o quão as relações que poderiam se
fazer presente e a benção de poder conhecer novas pessoas sem nenhum esforço,
estavam se transformando em um expositor de egos e falsas imagens.
É impressionante como algumas coisas que nos impactam
através do consumo e dos exemplos que somos constantemente expostos (exemplos
esses influenciados pela publicidade) causam tantas distorções e se propagam de
forma tão avassaladora.
Nesse mundo em que vivemos, fugir dos meios tecnológicos não
é mais uma opção, porém não adentrar a esses ambientes aos quais citei
anteriormente é possível. Educação? Bom senso? As pessoas estão sendo o que
são, independente de influências externas ou não. O mal já está feito e se
instalou. Não custa nada apontá-los e buscar a problematização para uma
possível mudança.
Se o campo das relações nos meios tecnológicos estão mal, é
fácil perceber que fora dele também o está, pois, se o que cito sobre a
superficialidade está dentro da rede, ela não começou dentro dela.
Portanto, sendo grato pelas novas tecnologias e por todas as
suas benesses, faço auspícios para uma nova compreensão do que é se relacionar
através das mídias sociais, pois percebo que aquilo me incomoda em tudo isso que
tenho percebido, também incomoda a outros. Em tempos de tantas mudanças, é
normal que tudo isso esteja acontecendo, justo, são mudanças muitos velozes em
um curto espaço de tempo, e estamos aprendendo a compreender o que há de bom e o que necessita ser melhorado, porém, são mudanças que serão permanentes e que se
não humanizarmos o nosso convívio e a aceitação plena de todos nós,
independente de cada particularidade, não alcançaremos o estado tão almejado,
aquele em que possamos ser o que quisermos, mas claro, com o devido respeito a
todas as diferenças.
Fraternidade.
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