Augúrios pessoais para tempos melhores e a perspectiva política e social de onde vivo.
Desde
a minha infância, cresci num bairro com muitos problemas. Não que eu tivesse,
em tenra idade, a percepção negativa do que me rodeava, porém com o
amadurecimento progressivo da infância à adolescência e a tomada de consciência
dos problemas aos quais eu percebia, muitas dúvidas sobre o porquê as coisas
eram da forma que se apresentavam e ânsias por algumas mudanças me provocavam
uma constante inquietação e insatisfação. Dentre algumas insatisfações (sendo
muitas delas comuns a quase todas as pessoas que vivem onde vivo e em outras
cidades do Brasil), posso citar problemas de infraestrutura, relativa pobreza
em alguns locais e o que acho o mais grave (ao qual atribuo todos os outros
problemas), a falta de fraternidade e respeito entre as pessoas.
Consigo
sempre observar com muita clareza, com base nas vidas de pessoas que vivem no
mesmo meio social que eu, sempre muito sofrimento (sofrimento esse
"nascosto" e dissimulado) e uma ânsia muito grande por se fazerem
notar como pessoas importantes, sejam por qualquer conhecimento demonstrado ou
pela capacidade de se lograr êxitos em questões materiais. Em consequência
disso, uma voraz competitividade pelo "ter" a qualquer custo e pela
busca incessante do crescimento pessoal de modo individualista e singular.
Percebo que não se faz errado a busca e o crescimento pessoal e financeiro,
porém o vejo sendo feito de forma não ética e não humanista, onde todo e
qualquer objetivo deve ser sempre concretizado em ideais materialistas
exacerbados e com foco somente ao seu próprio bem pessoal (fora o sentimento de
inveja que acometem àqueles que não logram seus respectivos êxitos e os veem
sendo realizados por outrem).
Paulatinamente,
toda essa forma de se vivenciar e fazerem valer suas determinadas posições e
formas de concretizar seus objetivos (ressaltando que não são todos os que agem
dessa maneira antiética e individualista) causa em decorrência de atritos
diversos, mal-estar, egoísmo e individualismo por parte da população, pois, "se
eu não fizer por mim e pelos meus, ninguém fará para mim e por mim, e muito
menos terei a chance frente a outros de conquistar aquilo que desejo".
Portanto,
partindo da perspectiva materialista e individualista que observei e observo
hoje, onde ela se encaixa nos demais problemas que percebo onde vivo?
Vejo
de maneira simples. Se luto com todas as minhas forças de modo a satisfazer um
desejo torpe e egoísta apenas para meu próprio bem, e que a mim não é
necessário o bem coletivo das minhas ações, logicamente, a mim não interessará
questões ligadas ao bem comum e muito menos se os meus concidadãos sofrem ou
não.
É com muita tristeza que vemos que essa forma de posicionamento só vem causando desunião, sofrimento e atraso a todos.
Muito dessa perspectiva é influenciada pelo consumismo, aquele que nos é impulsionado nas propagandas, sendo essas propagandas sempre muito maquiadas de uma falsa ideia de felicidade e prestígio a qual teremos se comprarmos determinado produto. Infelizmente nossa sociedade está imersa nesse modo consumista de viver, onde nossas vidas são planejadas por aquilo que compraremos no futuro e nas formas as quais podemos obtê-las.
Minha
cidade é pobre, onde as pessoas não chegam a ganhar nem 4 salários mínimos¹ (em
sua maioria), porém os produtos que consomem são destinados em sua grande parte
a uma outra categoria social e econômica.
Sendo
assim, que tipo de sociedade é essa que se importa tanto com isso?
Infelizmente, é o tipo de sociedade maculada desde o passado pela falta de
tudo, desde o mínimo a sua sobrevivência até a sua inexistente dignidade. É
como se fosse uma luta para se ter o que nunca se teve – e que apenas viu
determinada parte da sociedade ter - e ser aquilo que nunca pôde ser.
No
decorrer de muitos avanços, hoje podemos usufruir de muito o que não era tão
democratizado há alguns anos, porém como citei acima, esses desenvolvimentos
têm demonstrado uma face "podre" da sociedade em que vivemos, em que
o "ter" se tornou mais importante do que "ser" e que
pessoas se tornaram produtos assim como os que vemos nos supermercados, tendo
em vista a grande superficialidade que vivemos nas relações atualmente. Daí vem
a minha insatisfação, onde as relações são pobres e o valor do indivíduo é
reduzido, como há de se ter união e respeito? Como a fraternidade pode
coexistir onde há tamanha competitividade e voracidade material?
A
falta de fraternidade e respeito que cito, deu espaço a esse modo de viver
materialista onde toda nossa sociedade está incluída e que muitas vezes penso
que para mudar esse estado negativo é necessário um novo tipo de ser humano.
Há
muito, visualizo e imagino meu bairro e toda a minha cidade, da forma que eu
realmente gostaria que estivesse. Em minhas visualizações, as quais são cheias
de otimismo e algumas vezes até utópicas pela forma como seriam difíceis de se
concretizar; chego a pensar numa tremenda harmonia, onde a união das pessoas as
quais vivem comigo na mesma cidade poderiam resolver grande parte dos problemas
de infraestrutura ou questões ligadas àquilo que temos necessidade em nosso
meio, como uma espécie de “faça você mesmo”, mas com a diferença de que
“façamos nós mesmos” a mudança e o meio que queremos.
É
de fato muito bonito pensar em toda essa harmonia, porém nossas mentes
individuais tão atreladas àquilo que devemos concretizar no nosso dia-a-dia não
nos permite nem ao menos refletir sobre isso. Tenho consciência e fé de que
muitos dos que vivem em um meio aos moldes a qual cito nesse texto, gostaria de
uma sociedade “utópica” da forma que imagino, porém nem todos já se propuseram
ao menos a pensar nessa possibilidade como aqui descrevo. Se questiono a falta
de respeito e fraternidade e a mente consumista e materialista a qual
percebemos em nosso tempo, tenho esperança que algum dia, por tantos erros e
desesperanças, essas atitudes positivas as quais me referi possam ser
realidade.
O que podemos fazer para contribuir para a essas mudanças, não seria um salvador da pátria ao qual muitos esperam e depositam suas esperanças, mas podemos ter uma tomada de consciência, agindo de forma reta e justa, um por um, colocando em primeiro plano a sociedade na qual gostaríamos de viver.
Se
nos dispusermos a ver as coisas de forma mais simples e desapegada,
compreendendo o quanto nossas ações más causam impactos sociais, gerando
coletivamente essas distorções as quais citei nesse texto; se nos
conscientizarmos que o nosso vizinho e os nossos concidadãos são a nossa imagem
e semelhança, e que deles não diferimos em absolutamente nada; se observarmos
que todo bem que proporcionamos a quem quer que seja ou ao nosso meio em geral
produz um efeito muito grande de influência, e que nada fala mais alto que um
bom exemplo, tenho certeza que estaríamos mais perto de uma sociedade a qual
considero a ideal para nós.
Temos
dentro de nós todas as chaves para a mudança, basta que individualmente as
despertemos, sem nos importar se determinada ação ou atitude surtirá efeitos
apenas por terem sido feitas por uma única pessoa. Façamos eu e você aquilo que
deve realmente ser feito, em todas as áreas, desde o bom exemplo às crianças,
que serão a base da nossa sociedade futura, até as ações nas quais jogamos para
“debaixo do tapete” e negligenciamos.
É
sob essa perspectiva negativa a qual percebo o meio em que vivo, que faço meus
auspícios de mudanças positivas. Sou otimista e creio que os atributos
idealistas que tenho, muitos que possam ler também os têm, mesmo que o percebam
de forma utópica, porém a utopia já foi a base dos sonhos de muitos que
contribuíram para mudanças e criações significativas no nosso planeta.
Não
nos abalemos, novos ares de mudanças surgem dia após dia, e que a cada ciclo
diário possamos ser cada vez melhores, em busca da vida que queremos viver, mas
atrelada a felicidade coletiva de todos os nossos irmãos e irmãs de nossa
cidade e de nosso país.
Com
as bênçãos do Deus do nosso coração finalizo este texto, e que as mais sublimes
reflexões possam surgir a partir de agora, e que positivas mudanças possam vir
a brotar dentro de nós. Assim Seja.
¹https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/04/11/interna_cidadesdf,672701/df-e-unidade-federativa-com-maior-media-salarial-do-pais-aponta-ibge.shtml
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